Ivone Marifran dos Santos Wilbert

Professora da rede municipal de Alvorada

RESUMO: O presente artigo descreve a trajetória e análise realizada ao longo do Projeto de Intervenção, do Curso de Especialização de Gestores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, implementado na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dom Pedro II, localizada no Município de Alvorada, RS, o qual teve seu início em janeiro de 2014, a partir do momento em que assumimos a gestão da escola, sendo viabilizado e estruturado ao longo do curso. Logo, encontra-se em efetivo exercício, tendo seu término em dezembro de 2016 e cujo objetivo é reestruturar o Projeto Político- Pedagógico em prol de práticas e métodos que otimizem o fazer pedagógico de forma eficaz e condizente com a realidade na qual estamos inseridos, guiados pela voz da democracia no contexto escolar, e, sobretudo com foco nos direitos humanos dos sujeitos, embasando-se na integração de todos os segmentos para um mesmo fim educacional. Assim, para fundamentar o trabalho, utilizamos os seguintes autores: Paro (2007), Gandin (2014), Franco (2005), Vasconcellos (2002), entre outros, que subsidiaram a jornada à cerca da Gestão Democrática. A intervenção ocorreu a partir da análise da pesquisa-ação, cuja teorização, uniu-se à prática das ações, em função de uma maior organização e planejamento da metodologia de trabalho, permitindo práticas em favor de uma gestão democrática.

PALAVRAS-CHAVE: Gestão democrática. Reflexão. Construção. Práxis. Qualidade.

Um dos pontos fundamentais para repensar a escola implica primeiramente no resgate de sua história e análise de sua comunidade. A Escola Municipal Dom Pedro II, a qual se implementou a pesquisa-ação, foi criada após diversas solicitações da comunidade por não haver uma escola nas proximidades do bairro. Primeiramente, antes de 1978, era composta de 6 salas de aula, atendendo alunos de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental, priorizando a demanda da comunidade, sendo mantida pela Prefeitura de Alvorada/RS e administrada pela Secretaria Municipal de Educação do município. Com o passar dos anos, o bairro foi se organizando e aumentando, havendo a necessidade de oferecer todas as séries do Ensino Fundamental. No ano de 1989, foram implantadas as 5ª séries e assim progressivamente até completar as oito séries do Ensino Fundamental, cujos anos de 1992 a 2010 novas transformações surgiram, ampliando novamente o espaço.

Desde 1999, a escola vem construindo uma proposta pedagógica que contemple todos os segmentos que compõem este estabelecimento: pais, professores, educandos e funcionários, fazendo com que reflitam sobre sua participação no processo histórico da escola. A Constituinte Escolar foi um processo de discussão sobre a escola que temos e que queremos. Através de referências pedagógicas, palestras e reuniões foram-se definindo os princípios de cada eixo para a construção do Projeto Político-Pedagógico, Regimento Escolar e implantação dos Conselhos Escolares (órgão de extrema importância para democratização do espaço escolar).

Sendo assim, embasado nas informações descritas acima, a equipe gestora resolveu empenhar-se no que se refere a uma gestão ainda mais participativa, elaborando um plano de ação, em que tais ações, na verdade, concretizaram-se em um Projeto de Intervenção voltado para a melhoria da aprendizagem dos alunos através de atividades que cultivassem o senso crítico e a liberdade de expressão, cujas palavras fossem norteadoras de mobilizações positivas e atuantes na construção de um trabalho pedagógico coerente na concepção da realidade da escola, ou seja, estabelecer estratégias que unissem teoria e prática, sendo nos períodos de formação continuada ou nos espaços das reuniões pedagógicas.

Portanto, nossa gestão pauta-se em subsidiar e fornecer meios para alcançarmos um
planejamento mais inclusivo, criando um elo maior entre alunos e professores, equipe gestora e comunidade escolar nas atividades escolares, com intuito de qualificá-las e proporcionar um ambiente criativo e acolhedor, propício à construção da democracia em direitos humanos.

Entretanto, neste caminhar, embasamos nosso trabalho a partir do corpus teórico recomendado ao longo do curso de Especialização em Gestão Escolar, bem como outros materiais que subsidiaram a jornada democrática no contexto da escola, como por exemplo, as descrições dos seguintes autores: Paro (2007), Gandin (2014.), Candau (2012), Vasconcellos (2002), entre outros, concomitante com as metodologias desenvolvidas através das reuniões pedagógicas e espaços de formação para uma maior qualidade da aprendizagem, tais como, aperfeiçoamento do planejamento, reestruturação dos projetos presentes no calendário escolar e práticas pedagógicas, etc.

Portanto, o pensar de uma gestão democrática requer pensar sobre as ações a serem refletidas, discutidas, avaliadas, concretizadas, reavaliadas e por fim, analisadas e efetivadas novamente; também requer atitudes, compromisso de fazer, estabelecer estratégias, metas a serem alcançadas no que tange todo o processo da práxis pedagógica, melhorias a serem efetivadas dentro e fora da escola, entre outras ações realizadas pelos dirigentes, professores e funcionários para o povo (alunos, pais dos alunos e comunidade), ocorrendo a união e participação de todos, acarretará em uma democratização da gestão escolar, a qual, não esqueçamos, é pública, e se é pública, é de todos e para todos.

Para Paro (2007) torna-se necessário “criar métodos, técnicas, procedimentos, que produzam no aluno a vontade de aprender”, associando conteúdo e forma de ensinar em prol de uma formação integral do aluno, ou seja, a escola precisa ser o coração da comunidade que ali está inserida, projetar seu conhecimento de forma reflexiva, coesa e dinâmica para além dos muros escolares, cuja missão é promover educação em sua plenitude, cuja função não é exclusiva da escola, mas deve pertencer também à família, à municipalidade, e à sociedade em geral, reiterando-se neste contexto as afirmações de Gandin (2014):

“As pequenas mudanças têm sentido quando se dirigirem para esta mudança plena, transformação de estruturas e conversão dos corações, propondo e realizando a igualdade fundamental dos homens, com seus diversos valores e diversos desejos … todos úteis na construção de uma escola e de uma sociedade.

Gestar uma escola não é uma tarefa fácil, requer desempenhar inúmeras funções, sendo uma delas o de elo integrador ou articulador dos vários segmentos existentes, sejam eles internos ou externos da escola. Logo, o grande desafio da atualidade, em prol de uma perspectiva democrática, é manter a escola funcionando embasada num projeto coletivo, superando a fragmentação, o comodismo, o medo do novo e de frustrações em função de uma gestão pautada na transparência das ações e na efetiva participação de todos os segmentos, tornando o processo educativo e libertador.

Um ponto relevante neste gestar é primordial, saber ouvir, pois perfeição não existe, sempre aparecerão desafios a serem superados, que precisam partir de uma voz dialógica respeitosa, conhecedora de seus deveres e direitos para com todos, dando suporte ao processo a ser realizado, apoio técnico e político, participando e orientando no que se refere às reuniões pedagógicas (de professores, de alunos, de pais, de pais com alunos e comunidade), bem como suporte material e financeiro (direção e Conselho Escolar) e formativo, dando ênfase a melhoria da práxis pedagógica para uma educação de qualidade.

Segundo Vasconcellos (2002, p. 59) é imprescindível “trabalhar com os pais para explicitar a linha político-pedagógica da escola (aproveitar época de matrículas, reuniões de pais, Conselhos, circulares, cartazes, jornalzinho escolar, etc.), ou seja, a comunidade necessita inteira-se do processo de dinamização na e da escola”. Também, “dar apoio ao professor diante da comunidade; os eventuais equívocos devem ser tratados internamente”… favorecendo “a construção de um clima ético” (idem. Ibidem).

Em síntese, gerir uma escola reflexiva, fundamentada no Projeto Político- Pedagógico da escola é ser capaz de liderar e mobilizar pessoas, saber agir em determinadas situações, assegurar uma situação sistêmica com fins de uma participação democrática, a qual pensa e escuta antes de decidir, sabendo de que forma avaliar e que resultados nortearão tais ações para o real processo de desenvolvimento e de aprendizagem.

Segundo Candau (2003) o trabalho coletivo necessita estar envolto em uma pedagogia problematizadora, que ofereça um enfoque, bem como uma concepção motivacional aos educadores através de questionamentos e reconceitos sobre a prática educacional, cujas ações estejam norteadas pelo envolvimento, por ações em grupo, participação em ação mobilizadora.

A partir destas indagações julgou-se primordial definir e sistematizar o Projeto Político-Pedagógico da escola como marca registrada da escola, ou seja, sua identidade em movimento, articulada para fins de um processo de educação contínua e não apenas uma educação inicial, já que está imersa em uma sociedade moderna e industrial engolida pela globalização da economia e da comunicação, que clama por um pluralismo de ideias, por um poder local, politicamente democrático e culturalmente diverso.

O Projeto Político-Pedagógico auxilia a construção de um clima favorável à organização e autonomia da escola através da relação que estabelece entre equipe gestora, professores e alunos, incluindo-os no avanço da compreensão de seus conhecimentos no âmbito social, popular, disciplinar, não-disciplinar, científico, cotidiano, físico e acadêmico; buscando o caminhar das infindáveis teias de relações que objetivam para a construção da cidadania. Nesta perspectiva, o fazer pedagógico precisa estar vinculado a uma educação em valores, aglutinando pessoas e seu real conhecimento com a ligação da práxis a ser implementada, criando, uma transversalidade, em função dos sujeitos e seus processos de construção de conhecimentos.

Em síntese, o fazer pedagógico está atrelado ao ato de planejar, em que Luckesi (2011) descreve: “é um ato decisório da maior importância e efetivado dentro de um projeto coletivo institucional”, já que, de acordo com ele, para o projeto ter eficácia dentro da escola é necessário buscar um mesmo fim e um modo coerente de ação, resultando em uma ação coletiva do corpo docente, em conjunto com as instâncias pedagógicas e administrativas.

Entretanto, não somente o planejamento é de extrema relevância como viabilizar a avaliação diagnóstica, a qual tenha por norte o real desenvolvimento da aprendizagem, de modo a auxiliar a construção de resultados esperados.

Quando nos deparamos a refletir sobre a práxis de forma mais aprofundada, veremos que não é apenas um amontoado de práticas, ou a prática em si, mas um emaranhado de pressupostos que nos remetem a uma pedagogia da pergunta do “eu” (professor) e do “ser” aluno, ou seja, o professor necessita estar sempre se questionando sobre sua prática: o método adequado, a trajetória de seu trabalho, o porquê de tais ações ou definições de conceitos aplicados, que conteúdo desenvolver, para quê serve tais conteúdos, onde quero chegar com tais explicações e conceitos, resultados esperados, resultados alcançados, análise de seu trabalho, entre outros, em favor ao desenvolvimento pleno do aluno, integrando o conteúdo com o conhecimento prévio e assim, descobrir o ponto crucial de sua jornada para que este aluno possa inserir-se como sujeito e decifrar o mundo que está a sua volta.

Enfim, situando-se no fator espaço socializador, Vasconcellos (2002) descreve que a reunião pedagógica semanal vista como trabalho coletivo fornece um espaço de gestão de projetos e de formação contínua do professor, em que é preciso parar para saber que rumo tomar, quais ações a serem empenhadas, ou seja, como sistematizar a prática em prol de mudanças que necessitam ser melhoradas e otimizadas.

Entendemos que há diferentes maneiras de organização no âmbito educacional, entretanto, a forma de se planejar algo com propósitos definidos, supõe nortear o processo, o qual se torna satisfatório, no uso de alguns eixos essenciais, defendidas por Vasconcelos (idem, p 151): “realidade, finalidade, plano de ação, ação e avaliação” e diria mais, a reavaliação a partir de um reolhar.

Segundo Gandin et al (1996, p. 1) a base para uma educação de qualidade está vinculada entre quatro palavras: “qualidade política” e “qualidade técnica”. A primeira expressão configura-se através do “como” viabilizar os planos a partir de nossas indagações, já a segunda, subtende-se “a clareza sobre os ‘para onde’ e ‘para que’, finalidade do propósito”. Assim ressalta (idem, p. 2): “o que importa não é fazer muitas coisas, mas saber o porquê de cada uma das coisas que fazemos… é preciso que, nas escolas, construamos coletivamente os nossos pontos de chegada, nossos ideais coletivos”.

Refletir sobre a qualidade da educação, é refletir sobre a formação humana e para isso é essencial instaurar padrões de qualidade a serem alcançados através de conteúdos relevantes e de métodos pedagógicos coerentes com os objetivos democráticos da escola, ao mesmo tempo em que se desenvolvam processos coletivos de avaliação de todo o processo que permita subsidiar e controlar a efetiva busca desses objetivos.

Enfim, priorizam-se as atividades presentes no calendário escolar, a cotidianidade, os Projetos e Programas através do exercício do repensar a prática, em busca da melhoria da qualidade, com intuito de integrar a Escola com a comunidade e introjetar ferramentas positivas que as faça mudar seus conceitos sobre determinadas ações e opiniões, ultrapassando os muros escolares e transformando vidas em construções vindouras.

Partindo deste pressuposto, qualidade na educação é ampliar saberes, reconhecer e promover a escola como espaço de circulação e produção da diversidade cultural, favorecer a interlocução entre experiências culturais e artísticas, valorizar e expandir saberes comunitários e escolares, potencializando ações educativas do território em que a escola está inserida, proporcionando o reconhecimento do processo educativo como construção cultural em constante formação e transformação, estimulando a afetividade e a criatividade existentes no processo de ensino aprendizagem.

Também é, favorecer o encontro de professores, incentivando a troca de experiências, de materiais pedagógicos, a criação de critérios de avaliação adequados e coerentes com a turma, a confecção de materiais e produção do Planejamento, o qual é analisado e descrito trimestralmente já no início do ano, a partir do Plano de estudos e que é analisado em conjunto nas reuniões pedagógicas.

Mas não é qualquer planejamento, precisa ser um planejamento Anual, separado pelas disciplinas de cada Ano (6º ao 9º ano), cujos professores realizam em conjunto e após terminarem suas conclusões sobre o Plano de Estudos, reorganizam seu material em conjunto com os outros professores daquele mesmo Ano, e posteriormente, trocando ideias, desenvolvendo métodos, temática, com os anos iniciais, etc., enfim, construindo possibilidades.

Todo e qualquer processo de mudança requer inúmeras considerações de tarefas a serem discutidas, analisadas, reorganizadas e reestruturadas para fins de uma implementação de ações tomadas pelo coletivo, tendo que se ter paciência frente às situações que estão ainda sendo amadurecidas e por fim, restauradas. Diríamos, então, que o que move e transforma a realidade são as ações. Mas que ações? Ações que explicitem à práxis pedagógica como um todo, instrumento mediador do processo de planejamento, cuja função é chegar a uma ação transformadora e emancipatória a partir de um reolhar do Projeto Político- Pedagógico na escola.

Neste contexto, a nova equipe gestora propôs a todos os segmentos os seguintes questionamentos: A escola que temos hoje, Quais são as potencialidades que a escola possui e suas dificuldades, A escola que pretendemos e O que vamos fazer (ações de curto, médio e longo prazo).

Desta forma, a concretização da pesquisa – ação ocorreu a partir de um Projeto de Intervenção, que se aprofundou em um relatório analítico reflexivo , o qual foi embasado nos princípios norteadores da participação, colaboração, criticidade e transformação dos saberes em função da prática pedagógica, visando uma formação contínua e emancipatória a todos os envolvidos no processo educativo, pois onde há um grupo grande de pensares diferenciados, há uma gama de material a ser analisado e discutido, chegando-se a um consenso pautado na construção das relações democráticas, no convívio social, no respeito às diferenças e seus fins ao caminhar organizacional e ao bem comum de todos.

Por conseguinte, elencaremos a seguir, as ações realizadas para a concretização de uma práxis de qualidade, como elemento mediador e emancipatório, pautado a partir do reolhar do PPP e utilizado como espaços de intervenção. São eles:

a) Reunião pedagógica semanal: composta pela equipe gestora, professores, e assessores da Secretaria Municipal de Educação, a qual possui como finalidade propiciar um “espaço de reflexão crítica, coletiva e constante sobre a prática da sala de aula e da instituição,” (Vasconcellos, 2002, p. 120) dando voz as atividades previstas no Calendário Escolar, os projetos desenvolvidos no ano letivo e as problematizações do cotidiano.

b) Organização pedagógica através de projetos: projetos realizados pela escola ao longo do ano letivo, votados no final do ano anterior pelos professores e equipe gestora nas reuniões pedagógicas. São eles: Projeto Laboratório de Aprendizagem – viabilizar um espaço rico em situações concretas e afetiva, tendo em vista as necessidades das crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem ou lacunas no seu desenvolvimento cognitivo, seja por falta de estímulo ou carências de vivências escolares e familiares, propondo diferentes situações de aprendizagem entre as quais se incluem jogos pedagógicos, espaço para brincar, desafios lúdicos, tendo o resgate do sujeito como autor consciente de seu próprio processo de construção do conhecimento.

Projeto Biblioteca Escolar – integrar o ambiente da biblioteca as atividades da escola, ampliando este espaço de cidadania e convivência. Despertar o gosto e interesse pela leitura. Proporcionar hora do conto semanalmente. Oferecer jogos pedagógicos a disposição do aluno, criando um ambiente acolhedor para que no horário do recreio possa usufruir do espaço da biblioteca para interagir com os seus e ler um livro.

Projeto Ambiente Informatizado – tem por objetivo enriquecer as atividades curriculares utilizando o computador como meio de estímulo e desenvolvimento de funções intelectivas do aluno, auxiliando a escola na interdisciplinaridade, quebrando barreiras entre disciplinas e divergências culturais. O uso da informática funcionará como acelerador das transformações que se fazem presentes em nossa sociedade, tornando o computador não apenas uma ferramenta com um fim em si mesma, mas como vinculador da aprendizagem de conteúdos significativos com a tecnologia para qual o mundo caminha.

c) Mostras Culturais – criar uma maior integração entre professores versus professores, professores e alunos e ambos com a equipe gestora de forma a agregar conhecimentos de forma lúdica e prazerosa, em que o aluno e professor possam se sentir fazendo parte como agentes multiplicadores de saberes.

d) Substituição Escolar – substituir o professor regente, quando necessário, dando continuidade ao trabalho do mesmo por meio de material impresso deixado previamente na escola. (pasta com atividades extra-classe atualizadas, solicitado pela equipe gestora)

e) Monitoria de Inclusão – professores auxiliares no espaço escolar de alunos com necessidades especiais, que precisam de auxílio para conseguirem realizar suas atividades com maiores habilidades e competência. Tais monitores servem de apoio para assessorar os professores em sua práxis.

f) Revitalização do Conselho Escolar – garantir sua participação no processo ensino aprendizagem, na reelaboração do Projeto Político-Pedagógico e na tomada de decisões. A equipe gestora necessita estimular todos os segmentos a fazerem parte do Conselho Escolar, trocando os membros para uma próxima gestão, dando oportunidades para outros representantes participarem do processo democrático da instituição.

g) Pré-Conselhos e Conselhos de Classe – espaços de extrema importância para a construção da práxis, pois disponibiliza o diálogo mútuo entre equipe gestora, professores, alunos, e principalmente os responsáveis, os quais precisam estar presentes e atuantes no caminhar de seus filhos, nossos alunos, nos auxiliando em ações a serem desenvolvias enquanto instituição.

h) Formação contínua do professor: além da formação inicial organizada pela Secretaria Municipal de Educação, quase sempre, no início do ano. A escola também possui autonomia para oferecer aos seus professores uma formação, a qual ocorre no mês de julho. A formação pedagógica de julho/2014 ocorreu no dia 21 (segunda-feira), tendo como palestrante a Profa. Ms. Carla Spagnolo, com o seguinte tema: “Ser professor em tempos de mudança”, uma temática bastante atual, condizente com a realidade e propícia a uma formação contínua. Já a formação pedagógica de julho/2015 ocorreu no dia 23 e 24 (quinta e sexta-feira), tendo como ementa: conceituação de inclusão escolar; princípios e fundamentos da inclusão escolar; aspectos necessários para promover a inclusão escolar; conceituação de bullying e aspectos e princípios para superação do bullying, ou seja, “Os desafios na construção de uma escola inclusiva”, uma vez que, a escola apresenta 23 (vinte e três) alunos de inclusão constituídos de diferentes necessidades e potencialidades.

Cabe salientar, que todas as ações e tomadas de decisões descritas acima foram e são desempenhadas de forma coerente e pautadas nos princípios da gestão democrática, que prioriza o diálogo, uma vez que, todas as ações partem das reuniões pedagógicas semanais com intuito de qualificar a práxis de forma reflexiva e dialógica, através do desenvolvimento de projetos e atividades presentes no Calendário escolar, como por exemplo: Festividade de Páscoa, Festa dos pais, Festa das mães, Olimpíada da Matemática, Festa Julina, Abraço e Incentivo à Leitura, Expointer, Cinema, Teatro, Festa Farroupilha, Aniversário da Escola, Festa da Criança, Mostra da Diversidade, Festa de Natal, etc.

Para a viabilização destas atividades, uma das intervenções, como citado acima, foi a revitalização do Conselho Escolar, pois julgou-se necessário torná-lo mais atuante no espaço escolar, ou seja, tomadas de decisões junto à equipe diretiva de forma deliberativa, consultiva, fiscal e mobilizadora, usando como ferramentas atas, cartazes de divulgação na escola e entorno sobre as ações a respeito das melhorias da Instituição em todas as dimensões. Poderíamos citar, como exemplo, a compra de livros de Literatura Infanto-Juvenil, pois esta compra tomou forma a partir da reunião pedagógica, em que os professores e bibliotecária do turno da manhã relataram que havia poucas obras que abrangesse esta clientela, então, por sugestão de ambos, efetivou-se a compra a partir de suas sugestões de livros, as quais iniciaram na reunião pedagógica e continuaram sua trajetória através de uma folha, anexada no mural, a ser preenchida na sala dos professores, já que necessitamos rever e pesquisar também novas obras e, portanto, era uma ação não imediatista. Após a compra dos livros, mostrou-se os livros e outros materiais solicitados na reunião pedagógica, e em seguida, divulgou-se nas salas de aula e por cartazes, contendo fotos dos objetos, principalmente a capa dos livros. Cartazes que surtiram muito efeito, pois enorme foi a fila na biblioteca para a retirada de livros, houve até lista de espera, o que deixou a todos contentes.

Em relação a monitoria de inclusão, nossa intervenção pautou-se em reuniões com os mesmos, a fim de auxiliá-los nesta jornada de forma pedagógica; bem como a valorização de sua presença de forma integrada com os outros professores nos eventos, mostras, atividades e formações da escola, dando realmente um suporte inclusivo.

Outros itens elencados acima, que são de extrema importância, e também foram espaços de intervenção, são os Pré-Conselhos e Conselhos de classe, pois é o momento disponível que o professor e equipe gestora possuem para dialogar com este responsável sobre o desempenho do aluno em diversos parâmetros. E em função disso, criamos um termo de alerta para dividir a tarefa de zelar por seus estudos e progresso com os responsáveis, além de registros em atas, bilhetes, planilhas, gráficos, os quais serviram de instrumentos de mapeamento do desempenho dos alunos.

Com relação ao desempenho dos alunos, seja em relação à notas ou casos indisciplinares, procura-se tomar ações imediatas com registros e solicitação da presença do responsável na escola , não esperando reuniões previstas no Calendário Escolar para a tomada de decisões a ser executada.

A Instituição, representada neste trabalho de Intervenção pela equipe gestora, escolheu as temáticas das formações realizadas na escola, após observar e analisar temas que pudessem agregar valores e saberes aos professores dentro da realidade, onde a escola está inserida, pois acredita que somente uma práxis de valor, transforma sujeitos. Nestes momentos de formação, solicitamos aos professores que realizassem uma Avaliação dos setores da escola como parâmetro da gestão, embora, tenhamos uma vez por ano a Avaliação Institucional, a qual entrou para ao Calendário a partir de 2014, primeiro ano da gestão.

Enfim, o processo de intervenção na escola descrito acima, teve como objetivo estabelecer e efetivar métodos à organização das ações, ofertando processos de participação social, firmadas na formulação de políticas educacionais, no planejamento, na aquisição de recursos e fins de investimento, nas deliberações a serem realizadas, avaliação e reavaliação no que tange à Instituição, de forma coerente e dialógica no caminhar gestor e a partir das ações, chegar à real análise deste mapear de relevâncias descritas acima.

Nossa Avaliação Institucional Participativa serviu como norte para analisarmos a efetivação de nossas ações e melhorias a serem realizadas, a partir da análise dos indicadores, os quais foram divididos em 7 (sete) Dimensões: (Ambiente de Trabalho, Práticas Pedagógicas, Práticas de Avaliação,

Gestão Escolar, Condições de Trabalho, Ambiente e estrutura física da Instituição e Acesso, permanência e sucesso na escola) que serão descritos abaixo, juntamente com seu juízo de valor empregado por todos os segmentos e tendo como legenda a seguinte pontuação:

a) Valor 1: Situação crítica exigindo apenas aspectos negativos, necessário intervenções e mudanças para superação desta condição.
b) Valor 2: Situação precária aspectos negativos sendo predominantemente e que necessitam medidas imediatas para superação desta condição.
c) Valor 3: Situação boa, apresenta um potencial de mudança, para que se aproxime da condição desejada.
d) Valor 4: Situação muito boa, pequena mudança caso não ocorra não interfere
e) Valor 5: Situação ideal, em estado de excelência, condição desejada.
f) NSA- Não se aplica

Verificamos com esta análise realizada, que a escola encontra-se num patamar que alegra a equipe gestora, pois nossa realidade frente a muitas escolas é realmente muito boa e atuante no fazer pedagógico e na tomada de decisões. A escola propõe formas e maneiras de monitoras as ações que são consideradas boas, mas que podem melhorar, e aquelas que precisam ser melhoradas , pois requerem ações mais planejadas para serem executadas.

A escola deve estar sempre aberta a esclarecimentos, orientações e ajuda à comunidade escolar, pois se entende que para ocorrer um desenvolvimento e aprendizagem significativa do aluno, a estrutura e o bem estar de sua família são fundamentais neste processo, assim como para o resto de sua vida, uma vez que, a evolução do ser humano tende cada vez mais a estar voltada não somente aos conhecimentos que são pertinentes aos livros, mas ao crescimento de um cidadão que vem sendo resultado de gerações anteriores que, em alguns casos e até na sua grande maioria, não tiveram uma formação adequada no que se refere a valores, ética, sentimentos, cultura, sociedade, mercado de trabalho, entre outros.
No momento que assumimos a escola, enquanto gestores, procuramos sempre investir em teorias e práticas de ensino que promovam a democracia, a vida, a justiça e a igualdade social, na intenção de construir uma escola democrática e participativa. Assim, buscou-se valorizar o saber pessoal de cada aluno, acrescentando-lhes, através da escola, novos saberes e valores.

Não há escola ideal, mas escolas que lutam por um ideal, e nossa gestão luta por um crescimento da práxis educativa como um todo, na busca constante de desenvolver atividades e projetos que envolvam maior integração entre escola, comunidade e família, desenvolvendo métodos que reforçam a ação do professor e sirvam de suporte no processo ensino-aprendizagem.

Entretanto, o que é este todo, diríamos que é o caminhar de um processo pedagógico, pautado em ações concretas e embasadas nas normatizações legais, e que envolve o pensar e o fazer pedagógico de forma reflexiva, autônoma e dialógica, em prol de uma educação de qualidade, cujas bases sejam guiadas pelo caminho de uma metodologia formativa e libertadora.

Adotar a gestão democrática como princípio na escola, requer mergulhar e compreender os questionamentos de uma prática pedagógica problemática e para compreendê-la torna-se de extrema relevância estabelecer um clima de parceria e respeito entre todos os segmentos, disponibilizando espaços para a abertura de um diálogo e exposição de dificuldades, bem como incentivo de ações e projetos que visam o desenvolvimento de um ambiente agradável.

Podemos dizer, então, que para construirmos artistas, precisamos dos atores, tais concretizam-se no coletivo ao se refletir sobre O Pensar de uma Gestão Democrática, O Papel da Equipe Gestora, fomentando a importância de instrumentalização e reestrutura de documentos que regem a Instituição, como por exemplo, o Projeto Político- Pedagógico, citado ao longo deste caminhar analítico, que por sua vez, nos fornece informações plausíveis para a construção ou reconstrução de uma práxis efetiva, cuja finalidade é reavaliar conceitos, ampliar visões, romper barreiras que ofereçam ao aluno o conhecimento de seus direitos, mas também de seus deveres como cidadão, sempre tendo como foco a construção da práxis com qualidade.

Buscando essa construção, monta-se estratégias e metodologias, onde o incentivo a inserção de todos, promova uma educação inclusiva, sem distinção de condições linguísticas, sensoriais, cognitivas, físicas, emocionais, étnicas, sócio-educativas e outras.

Notamos ao longo da análise dos dados, que possuímos um longo trajeto a percorrer, entretanto, percebemos através do detalhamento das ações que estamos indo no caminho certo, um dos pontos assertivos foi dar forma ao Conselho Escolar, estabelecendo um elo entre todos os segmentos e que surtiu bastante efeito.

Outro aspecto relevante e que não poderíamos deixar passar é o espaço formativo, pois como exigir métodos e práticas diferenciadas se o professor não domina seu próprio saber, torna-se necessário se ter um conhecimento prévio para poder concretizar as ações no campo da reflexão e tomada de ideias, é preciso ter técnica, além claro, de visualizar o aluno como sujeito, também detentor de saberes e que precisam ser explorados.

Assim, a educação é uma obra a ser construída a todo instante, pois nunca está acabada e detém na figura da Instituição, em que a gestão lhe impõe a identidade, a confiança de sua comunidade, e tal equipe precisa mostrar que ensinar e aprender não existe receita ou fórmula pronta e que cada escola possui uma realidade diferente e que, portanto, requer ações diferenciadas, mas o aprender a ensinar é algo que vem de dentro de cada um e se faz necessário procurar mostrar isso através de nossas atitudes e ações do cotidiano.

Em suma, este caminhar, ainda em crescimento, foi uma experiência muito rica, apaixonante e prazerosa, e que muitos cursos como este venham a enriquecer nosso gestar através de mais parcerias como esta: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, Programa Nacional Escola de Gestores da Educação Básica e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pois faz o profissional da área educacional repensar sobre suas ações e retomadas a partir daqui, e realmente este Curso de Especialização em Gestão Escolar mudou a concepção de o que realmente é ser um gestor em tempos de mudanças, bem como ajudou a pensar nas formas mais adequadas e fundamentadas para a efetivação das ações após a análise detalhada das ações, reafirmando que a gestão democrática é possível de ser construída na escola.

REFERÊNCIAS
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GANDIN, D. A Prática do Planejamento Participativo. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994
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LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem Escolar: estudos e preposições. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
PARO, Vitor . Administração escolar: introdução crítica. São Paulo:Cortez, 2002.
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VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Coordenação do trabalho Trabalho Pedagógico: do projeto político pedagógico ao cotidiano da sala de aula. 4.ed. São Paulo: Libertad, 2002.
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