Gloria Louise Mallorca Wagner

RESUMO

Este artigo tratará sobre o avanço da didática relacionado ao passar do tempo e o quanto o desenvolvimento da tecnologia influenciou no comportamento e conhecimento da criança de hoje.Também será feito uma retrospectiva em relação ao comportamental e cultural da criança de ontem até nossos dias. Serão expostos aqui exemplos de algumas atividades desenvolvidas nos dias atuais.

PALAVRAS CHAVE: Criança; Didática; Atividade

Introdução

Iniciei minha trajetória na pré-escola, hoje educação infantil, no ano de 1998, portanto, ha 18 anos, na escola Duque de Caxias, onde estou até hoje e é onde pretendo me aposentar.

Neste ano estavam implantando a pré-escola no Duque e tudo foi sendo adaptado para a sala onde a turma teria aula. Foram conseguidas algumas cadeiras e mesas velhas de madeira das quais cortaram um pedaço dos pés. Uma das mães da turma nos deu um armário velho, também de madeira, cujas portas nem fechavam direito, mas que nos serviu muito. O problema maior era a lajota do chão que soltava um pó vermelho e quando as crianças deixavam uma folha do trabalho cair no chão ficava bem suja.

Naquele ano, para nós na escola, era tudo muito novo assim como para as crianças da turma, tanto que havia um aluno que me pedia “papa”, pois mais ou menos às 14 horas era servido um almoço para as crianças e mais tarde um lanche. Praticamente, as atividades desenvolvidas durante a tarde eram todas relacionadas à folha de papel, o corpo ficava “preso” à mesa praticamente toda a tarde, eram raras as atividades de coordenação motora ampla. Porém, hoje a situação se inverteu e apenas uma atividade é desenvolvida na folha de papel, onde tento não só desenvolver o traçado como também o uso da régua, noções de linhas retas e curvas, noções de espaço, formas, tamanhos e uma infinidade de outras coisas.

Quando paro para pensar na criança daquela época e as que recebemos hoje na escola consigo perceber todo o avanço da tecnologia presente não só nas informações que trazem de casa como também em suas atitudes. Antes os conhecimentos trazidos de casa giravam em torno do que os pais ou comunidade em que viviam lhes passavam e não iam muito além da divisa do município, porém hoje recebemos crianças que nos trazem informações muito além da divisa de nosso país até mesmo a nível de planeta. Porém, uma coisa tenho certeza que não mudou, hoje, como antes, elas continuam sendo carinhosas, amorosas e necessitando de muito amor, carinho e atenção, já que, como sempre foi , esses são os principais elementos para que haja um aprendizado sem sacrifícios.

Assim sendo, como trabalhar com essa criança, o que trabalhar, quais suas prioridades, como agir diante e com ela?

Partindo da “teoria” de que o “AMOR” sempre foi e continua sendo o principal elemento para uma aprendizagem prazerosa, a primeira coisa que devemos ter em mente é que nossa criança deve e tem o direito de recebê-lo para que consiga alcançar o objetivo pelo qual trabalhamos. A afetividade, a escuta e a observação devem, também estar sempre presentes em todos os momentos de interação com nosso aluno, para que assim possamos conhecê-lo melhor e apreender como trabalhar com o mesmo.

A afetividade, a escuta e a observação sempre estiveram presentes em minha sala de aula, porém não digo o mesmo em relação às atividades desenvolvidas no inicio de minha carreira. Hoje, antes das atividades desenvolvidas na folha passamos pela roda de conversa onde são lidas historia, poesias, música, instrumentos musicais, sequência de sons com as mãos e pés, relatos de vivências e tantas outras. Partindo do que foi tratado será desenvolvido o trabalho na mesa.

A atividade que relatarei abaixo me surgiu de uma palestra que assisti na faculdade onde falaram sobre a liderança de adulto, então resolvi aplicar com as crianças o que deu muito certo e já o faço ha muitos anos, inclusive quando trabalhei com as crianças de segundo ano apliquei e eles me cobravam quando eu esquecia.

Para trabalhar autonomia, subgrupos, noção de quantidade, a relação termo a termo, autoestima, organização, responsabilidade, inclusão, etc, trabalho com “liderança”. Primeiro converso com as crianças sobre o que é, como agir e quais as responsabilidades de um líder. Após distribuo pedaços retangulares de papel para que escrevam seus nomes ou copiem dos crachás e façam um desenho atrás. Cada grupo terá um líder que será escolhido, todos os dias, a partir dos nomes confeccionados, portanto todo dia temos no mínimo três líderes. Na hora da distribuição de qualquer tarefa desenvolvida na mesa, sejam folhas, réguas, lápis, pincel, tinta, etc o líder deverá contar o número de integrantes do se grupo e buscar esses materiais para distribuir. Para trabalhar a observação solicito que cuidem se todos do grupo estão trabalhando, se estão colocando papel no chão, pois sempre friso que devemos respeitar o serviço do outro. Também quando vamos para o lanche cada um deverá levar seu grupo, solicitar que lavem as mãos além de cuidar para que não corram muito. No horário da saída também eles acompanham o grupo até o portão onde se encontra o porteiro, em todos os momentos estou sempre junto. As crianças adoram ser líder, se esqueço logo me cobram e toda vez que são escolhidos vibram.

Outra atividade que deu muito certo, neste ano, foi quando resolvi trabalhar lateralidade tendo como ponto de referência o coração. Comecei falando sobre o corpo externamente, com músicas, relatos e brincadeiras e nessa última solicitei que pulassem, quando pararam solicitei que colocassem a mão esquerda sobre a região onde se encontra o coração, já que neste momento o mesmo batia muito forte foi fácil de senti-lo. Após perguntei se sabiam qual a função deste, onde um ”aluninho” me disse que era para amar uma outra pessoa, uma menina deu seu relato dizendo que nasceu com um furinho a mais. Assim que terminaram os relatos dei uma explicação sobre a principal função do coração, portanto neste ano iniciei falando sobre a mão esquerda. Após desenharam a mão esquerda e pintaram, algumas enfeitaram colocando anéis. Em outro dia dei uma folha em formato de coração e solicitei que colorissem de vermelho utilizando mão esquerda alguns adoraram outros nem tanto, coloquei a eles como uma forma de se desafiar e utilizar a outra mão, isto feito colaram o desenho da mão sobre o coração para montar um painel. Para essa colagem solicitei que viessem individualmente até mim e colocassem três pingos de cola em cada um, alguns não conseguiam imprimir a força suficiente sobre o tubo para cair somente um pingo, então ficávamos tentando até que conseguissem e quando conseguiam vibravam. Após, dependurar o painel solicitei que colocassem sua mão esquerda sobre a desenhada, assim também é feito com o pé esquerdo, após desenharem. Junto com essa atividade trabalhei outras brincadeiras e musicas com a referida mão. Posso afirmar que esta forma de abordar a lateralidade foi positiva, pois, alcançou a maioria das crianças.

Aproveitei São João para trabalhar formas geométricas, linha reta, o uso da régua, recorte, colagem, criatividade, desenho, pintura numa mesma atividade que foi a confecção de um balão para dependurar. Primeiro ganharam uma folha retangular após passei de mesa em mesa solicitando que dobrassem a folha formando um triângulo a seguir pegaram a régua para fazer uma linha reta onde seria cortado. Isto feito, abriram a folha que havia se transformado em um quadrado, a seguir foi solicitado que dobrassem um pedacinho de um dos cantos que foi cortado. Após desenharam e pintaram, a seguir pegaram o pedacinho que sobrou desenharam diversas retas com a régua, recortaram e colaram no local onde foi tirado o pedaço.

Após a atividade na mesa temos a atividade de livre escolha, tais como: jogos de mesa ou de montar, além dos quebra cabeças os quais são colocados em uma mesa onde quem sabe ensina para quem não sabe, podem também escolher os brinquedos com que querem brincar.

Portanto, hoje, após muita leitura, alguns cursos e uma caminhada junto às crianças me foi possível perceber a importância do brincar e interagir entre as crianças que é onde acontecem as trocas de experiências e a aquisição de novos conhecimentos ou a complementação de conhecimentos já adquiridos.

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